
Ondas de calor, alterações de humor, insônia.
Esses são os sintomas mais lembrados da menopausa.
Mas existe um que quase não é falado — e que impacta diretamente a vida íntima de muitas mulheres: a dor na relação sexual.
A dor na penetração na menopausa é mais comum do que parece — e, ainda assim, pouco investigada.
Não é exagero.
Não é falta de desejo.
E não é “normal da idade”.
É uma resposta do corpo — e entender isso muda completamente o caminho do tratamento.
Por que a dor na menopausa acontece?
Não é exagero, não é falta de desejo e não é “normal da idade”. É fisiologia — e tem tratamento.
⸻ A dor na relação na menopausa tem tratamento?
O sintoma que ninguém conta antes da menopausa
A dor na relação na menopausa é mais comum do que parece — e ainda assim pouco falada.
Muitas mulheres começam a sentir desconforto, ardência ou dor durante a penetração sem entender o motivo.
Não é exagero. Não é falta de desejo. Não é “coisa da cabeça”.
É uma resposta fisiológica direta à queda do estrogênio — e entender isso muda tudo.
Existe uma lista longa de sintomas da menopausa que as mulheres ouvem falar antes de chegar lá: ondas de calor, alterações de humor, irregularidade menstrual, insônia.
Mas há um sintoma que raramente aparece nas conversas — e que afeta profundamente a qualidade de vida e a sexualidade de muitas mulheres: a dor na relação sexual.
A síndrome que ainda é pouco conhecida: SGUM
A Síndrome Geniturinária da Menopausa (GSM, na sigla em inglês) é o termo adotado em 2014 pela North American Menopause Society e pela International Society for the Study of Women’s Sexual Health para descrever o conjunto de sintomas genitais, sexuais e urinários causados pela queda de estrogênio na menopausa. Dor na relação sexual? O que o seu corpo está tentando te dizer — e o que você pode fazer
Ela afeta, de forma conservadora, entre 40% e 60% das mulheres na pós-menopausa — com estudos apontando prevalência ainda maior.
Apesar disso, continua sendo subdiagnosticada e subtratada: muitas mulheres não relatam os sintomas, e muitos profissionais não investigam.
A dispareunia é um dos sintomas centrais da GSM — e pode aparecer mesmo em mulheres que mantêm desejo sexual, que estão em relacionamentos e que querem ter vida sexual ativa.
A menopausa causa uma redução de até 95% na produção de estrogênio.
Esse hormônio é responsável pela lubrificação, elasticidade, espessura da mucosa vaginal e equilíbrio do pH vaginal. Quando ele cai, todos esses mecanismos são afetados.
Como tratar a dor na relação na menopausa?
O que acontece com o corpo — e por que dói
A dor na relação na menopausa pode se intensificar ao longo do tempo quando não é investigada e tratada corretamente.
Na menopausa, há uma queda significativa dos níveis de estrogênio — hormônio essencial para a lubrificação, elasticidade e proteção dos tecidos vaginais.
Com essa redução, os tecidos se tornam mais finos, secos e sensíveis — o que pode tornar a penetração desconfortável ou dolorosa.
Por que a dor pode aparecer mesmo com desejo
Esse é um ponto crucial — e que ainda gera muita confusão.
A dispareunia da menopausa não é falta de desejo.
Não é frigidez. Não é falta de atração.Uma mulher pode estar excitada, envolvida e desejosa — e ainda assim sentir dor durante a penetração.
O problema não está no desejo.
Está na resposta do corpo — e isso muda completamente a forma de tratar.
E quando isso não é compreendido, a dor se mantém — mesmo quando a mulher quer, tenta e se envolve na relação.
O que a fisioterapia pélvica oferece nessa fase
A fisioterapia pélvica é uma das abordagens recomendadas pelas principais diretrizes internacionais para o manejo da dor na relação na menopausa — inclusive pelo guideline conjunto AUA/SUFU/AUGS publicado em 2025.
O trabalho no consultório inclui:
- hidratação e mobilização dos tecidos vaginais
- relaxamento da musculatura hipertônica
- uso progressivo de dilatadores
- dessensibilização das áreas dolorosas
- orientações sobre lubrificação e cuidados íntimos
A fisioterapia pélvica pode e deve ser combinada com o tratamento médico quando indicado, como a terapia hormonal local.
Os dois tratamentos juntos apresentam resultados superiores a qualquer abordagem isolada.
Abordagens que atuam apenas na qualidade do tecido podem ajudar — mas não resolvem a função muscular, que é essencial para uma penetração sem dor.
É por isso que olhar apenas para o hormônio não é suficiente.
A menopausa não é o fim da vida sexual
A menopausa não marca o fim da vida sexual.
Mas, sem informação e sem tratamento, pode parecer que sim.
A dor na relação na menopausa não precisa ser algo com que você aprende a conviver.
Ela é um sinal — e sinais existem para ser investigados e tratados.
Com o cuidado adequado, é possível recuperar conforto, segurança e prazer na relação.
O corpo não está falhando. Ele está pedindo atenção.
A dor na relação na menopausa pode ter diferentes causas, e entender isso é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
Se a dor na relação começou ou piorou na menopausa, existe um caminho — e ele começa com entender o que o seu corpo está fazendo, não apenas o que você está sentindo.
Agende uma avaliação e dê o primeiro passo para recuperar conforto, segurança e confiança no seu corpo.
REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
American Urological Association (AUA/SUFU/AUGS). Genitourinary Syndrome of Menopause Guideline. 2025.
Archer, D.F. et al. Genitourinary syndrome of menopause: an overview of clinical manifestations. American Journal of Obstetrics & Gynecology, 2016.
Gandhi, J. et al. Genitourinary syndrome of menopause: an overview of clinical manifestations, pathophysiology, etiology, evaluation, and management. American Journal of Obstetrics & Gynecology, 2016.
International Consultation on Sexual Medicine (ICSM 2024). Genitourinary syndrome of menopause recommendations. Sexual Medicine Reviews, 2025.
Nappi, R.E. et al. The Recent Review of the Genitourinary Syndrome of Menopause. PMC/NIH, 2021.
Portman, D.J.; Gass, M.L. Genitourinary syndrome of menopause. Menopause, v.21, n.10, p.1063-1068, 2014.
StatPearls. Genitourinary Syndrome of Menopause. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2024.
Update on Genitourinary Syndrome of Menopause. MDPI Life, 2024.
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