Dor na relação pós tratamento oncológico: por que acontece e como tratar

A dor na relação após tratamento oncológico pode acontecer por diferentes motivos. Dependendo do tipo de câncer e do tratamento realizado, podem surgir ressecamento vaginal, alterações dos tecidos, dor durante a penetração, alterações urinárias ou intestinais e dificuldades relacionadas à função sexual.
Essas alterações não acontecem da mesma forma em todas as mulheres. Por isso, entender qual tratamento foi realizado, quando os sintomas começaram e quais estruturas podem ter sido afetadas é parte importante da avaliação.

O impacto dos tratamentos oncológicos na região pélvica

Cirurgias, radioterapia, braquiterapia, quimioterapia e alguns tratamentos sistêmicos podem afetar a saúde íntima por mecanismos diferentes.
Alterações hormonais podem contribuir para ressecamento e mudanças nos tecidos vulvovaginais.
Já tratamentos realizados diretamente na região pélvica podem provocar alterações de elasticidade, sensibilidade e mobilidade dos tecidos.
Após radioterapia pélvica ou vaginal, algumas mulheres também podem desenvolver estenose vaginal, caracterizada por estreitamento e/ou encurtamento do canal vaginal. Essas alterações podem dificultar a penetração e até a realização de exames ginecológicos.
Os sintomas podem aparecer durante o tratamento ou se manifestar posteriormente. Por isso, dor, ressecamento ou dificuldade para a penetração após um tratamento oncológico merecem ser avaliados, mesmo quando o tratamento do câncer já terminou.

Esses sintomas podem surgir meses ou até anos após o término do tratamento e, embora sejam frequentes, não devem ser considerados ‘normais’ nem irreversíveis.

Como diferentes tratamentos podem afetar a saúde íntima

  • Quimioterapia e tratamentos sistêmicos

    Dependendo dos medicamentos utilizados, da idade e de outros fatores, alguns tratamentos podem interferir na função ovariana e nos níveis hormonais. Essas mudanças podem contribuir para ressecamento vaginal, alterações na lubrificação e desconforto durante a penetração.

  • Radioterapia pélvica

    Quando a região pélvica faz parte do campo de tratamento, a radiação pode provocar alterações nos tecidos ao longo do tempo, incluindo redução da elasticidade, fibrose e alterações vaginais.

    Também podem ocorrer sintomas urinários ou intestinais, dependendo da região tratada e da resposta individual de cada paciente.

  • Braquiterapia

    A braquiterapia é uma modalidade de radioterapia na qual a fonte de radiação é posicionada dentro ou muito próxima da região que precisa ser tratada.

    Quando utilizada em tratamentos ginecológicos, pode provocar alterações nos tecidos vaginais, como redução da elasticidade, sensibilidade, desconforto e, em algumas mulheres, estenose vaginal.

  • Cirurgias pélvicas

    Cirurgias ginecológicas, urinárias ou intestinais podem modificar tecidos, cicatrizes, mobilidade e sensibilidade da região pélvica.

    Dependendo do procedimento realizado, também podem ocorrer alterações urinárias, intestinais ou na resposta do assoalho pélvico.

     

Essas diferentes alterações podem contribuir para o aparecimento de dispareunia — dor durante ou após a penetração. Por isso, a avaliação precisa considerar não apenas a presença da dor, mas também o histórico oncológico e os tratamentos realizados.

Como a fisioterapia pélvica pode ajudar na dor após tratamento oncológico?

A fisioterapia pélvica pode fazer parte da reabilitação quando existem alterações musculares, funcionais, de sensibilidade ou dos tecidos relacionadas ao tratamento oncológico.
A avaliação considera o histórico do tratamento, onde e quando a dor aparece, a função da musculatura do assoalho pélvico, a sensibilidade dos tecidos, cicatrizes e possíveis dificuldades para a penetração ou para a realização de exames ginecológicos.
A partir dos achados, podem ser utilizados diferentes recursos de reabilitação, de acordo com a necessidade de cada paciente.
Em algumas situações, o cuidado precisa ser integrado à equipe médica e a outros profissionais, especialmente quando existem alterações hormonais, complicações decorrentes do tratamento ou sintomas que precisam de investigação complementar.

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O Método Cris Nobile organiza o tratamento em duas etapas principais: reabilitação e consolidação.Na primeira etapa, o trabalho é direcionado aos fatores identificados na avaliação e às alterações funcionais presentes naquele momento. À medida que o tratamento evolui, a consolidação busca favorecer segurança, autonomia e confiança no próprio corpo.

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Saúde sexual também faz parte do cuidado oncológico

Por muito tempo, questões relacionadas à sexualidade receberam pouca atenção durante e depois do tratamento do câncer.
Depois de lidar com diagnóstico, cirurgias, medicamentos ou radioterapia, muitas mulheres acabam considerando a dor durante a relação uma consequência que precisam aceitar.
Mas saúde sexual também faz parte da qualidade de vida e pode ser abordada durante o acompanhamento oncológico.
Não é necessário esperar o tratamento terminar para conversar sobre alterações íntimas. Diretrizes de cuidado oncológico recomendam que questões relacionadas à função sexual sejam abordadas ao longo do tratamento e também no acompanhamento posterior.Em situações com risco de alterações vaginais, especialmente após determinados tratamentos pélvicos, identificar precocemente os sintomas também permite discutir estratégias de acompanhamento e reabilitação adequadas para cada paciente.Se você percebeu ressecamento, dor, dificuldade para a penetração ou alguma mudança na região íntima durante ou depois do tratamento oncológico, esses sintomas merecem ser avaliados.

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perguntas frequentes sobre a dor na relação sexual
após tratamentos oncológicos

É normal sentir dor no sexo depois da quimioterapia ou radioterapia?

A dor durante ou após a relação pode acontecer depois de alguns tratamentos oncológicos, mas não deve ser simplesmente considerada uma consequência que precisa ser aceita.Alterações hormonais, ressecamento vaginal, mudanças nos tecidos, cicatrizes e alterações na função do assoalho pélvico estão entre os fatores que podem contribuir para o desconforto. A avaliação ajuda a identificar quais deles estão presentes em cada caso e quais cuidados podem ser necessários.

Existem diferentes formas de abordar o ressecamento e as alterações dos tecidos vulvovaginais após o tratamento oncológico, mas a conduta depende do tipo de câncer, dos tratamentos realizados e das características de cada paciente.Quando existem também dor, alterações musculares ou dificuldade para a penetração, a fisioterapia pélvica pode fazer parte da reabilitação. Outras abordagens podem precisar ser discutidas com a equipe médica, especialmente quando envolvem tratamentos hormonais ou locais.

Sim. A radioterapia pélvica e alguns tratamentos ginecológicos podem provocar alterações nos tecidos vaginais e, em algumas mulheres, levar à estenose vaginal, com redução da elasticidade, estreitamento e/ou encurtamento do canal vaginal.A prevenção e o tratamento dependem do tipo de câncer e da terapia realizada. Estratégias de reabilitação vaginal e fisioterapia pélvica podem fazer parte do acompanhamento, sempre considerando as orientações e possíveis restrições da equipe oncológica.

Não existe um prazo único para retomar a vida sexual depois do tratamento oncológico. O momento depende da recuperação, do tipo de tratamento realizado, da presença de sintomas e também de como cada mulher se sente.Quando existe dor, ressecamento, medo da penetração ou dificuldade relacionada ao assoalho pélvico, esses fatores podem ser avaliados e tratados antes ou durante essa retomada. A fisioterapia pélvica pode fazer parte desse processo quando existem alterações funcionais que estejam contribuindo para o desconforto.

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