Dor na relação pós-câncer: por que pode acontecer?
Passar por um tratamento contra o câncer pode provocar mudanças que continuam sendo percebidas mesmo depois que as etapas mais intensas do tratamento terminam.
Entre elas, algumas mulheres passam a sentir dor na relação pós-câncer, ardência, secura, desconforto durante a penetração ou dificuldade para realizar exames ginecológicos.
Esses sintomas podem aparecer após diferentes tipos de tratamento e não têm necessariamente uma única causa.
Alterações hormonais, mudanças nos tecidos, cirurgias, radioterapia pélvica e alterações na função do assoalho pélvico podem estar envolvidas.
Por isso, entender o que está provocando a dor é fundamental antes de definir como tratá-la.
Por que pode surgir dor na relação pós-câncer?
O impacto do tratamento oncológico sobre a região genital e pélvica depende de vários fatores, incluindo o tipo de câncer, os tratamentos realizados e a resposta individual de cada mulher.Algumas situações merecem atenção.
Alguns tratamentos oncológicos podem reduzir os níveis de estrogênio ou interferir na função dos ovários.
Isso pode provocar alterações semelhantes às observadas na menopausa, como secura vaginal, mudanças na elasticidade dos tecidos, ardência e desconforto durante a penetração.
Esses sintomas precisam ser avaliados pela equipe médica, especialmente porque as possibilidades de tratamento hormonal ou não hormonal dependem do histórico oncológico de cada paciente.
Quando a radioterapia envolve a região pélvica, podem ocorrer alterações nos tecidos vaginais ao longo do tratamento ou posteriormente.
Em algumas mulheres, os tecidos podem se tornar menos flexíveis e pode ocorrer estreitamento ou encurtamento vaginal, condição conhecida como estenose vaginal.
Essas mudanças podem dificultar a penetração e também tornar exames ginecológicos desconfortáveis.
Dependendo do tipo e da localização da cirurgia, também podem ocorrer mudanças na mobilidade, sensibilidade e função dos tecidos da região pélvica.
Isso não significa que toda mulher submetida a uma cirurgia oncológica terá dor. Significa que, quando ela aparece, esses fatores precisam fazer parte da avaliação.
O assoalho pélvico também pode estar envolvido
Depois de episódios repetidos de dor, algumas mulheres podem apresentar aumento involuntário da tensão dos músculos do assoalho pélvico.Essa resposta pode dificultar o relaxamento necessário para a penetração e contribuir para a manutenção da dor.Por isso, nem sempre tratar apenas a secura ou as alterações dos tecidos é suficiente. É importante avaliar também como a musculatura está funcionando.
Qual é o papel da fisioterapia pélvica após o tratamento oncológico?
A fisioterapia pélvica pode fazer parte do cuidado quando a avaliação identifica alterações que estão dentro da nossa área de atuação. O tratamento é definido individualmente e pode envolver estratégias para melhorar a capacidade de relaxamento e controle do assoalho pélvico, mobilidade e sensibilidade dos tecidos, além de recursos de dessensibilização quando indicados. Em algumas situações, dilatadores vaginais também podem fazer parte da abordagem. A indicação, o momento de início e a forma de utilização precisam considerar o tratamento oncológico realizado e as condições de cada paciente. A fisioterapia não substitui o acompanhamento do oncologista ou do ginecologista. Em muitos casos, o cuidado precisa ser integrado entre diferentes profissionais. Quando existe dor na relação pós-câncer, a fisioterapia pélvica pode fazer parte do cuidado se a avaliação identificar alterações dentro da nossa área de atuação.
E quando existe estenose vaginal?
A estenose vaginal merece uma avaliação específica. Dependendo do grau das alterações e do histórico da paciente, a abordagem pode envolver diferentes estratégias para preservar ou melhorar a mobilidade e a capacidade de acomodação dos tecidos. A fisioterapia pélvica e o uso orientado de dilatadores podem fazer parte desse processo quando indicados. O objetivo não é forçar a penetração nem ultrapassar os limites do corpo, mas trabalhar progressivamente os fatores que podem ser modificados.
O tratamento pode ser realizado online?
Algumas etapas do acompanhamento fisioterapêutico podem ser realizadas online, dependendo das características do caso. Durante as sessões, podem ser orientadas estratégias de percepção corporal, relaxamento, mobilidade e outras condutas que sejam adequadas para realização pela própria paciente. Existem, porém, situações em que a avaliação ou o tratamento presencial são importantes. Essa decisão é feita individualmente.
Quando procurar avaliação?
Se você passou a sentir dor na relação pós-câncer, ardência, secura, dificuldade na penetração ou desconforto nos exames ginecológicos, esses sintomas merecem ser investigados.
O primeiro passo é entender quais fatores estão envolvidos no seu caso.
Na página sobre dor na relação após tratamento oncológico, explico com mais detalhes como funciona a avaliação e de que maneira a fisioterapia pélvica pode participar do tratamento.
Agendar minha avaliação
